TERREMOTO CAUSA DANOS NA COSTA LESTE DOS EUA

Estados Unidos

Um terremoto de magnitude 5,9 na escala Richter atingiu a costa leste dos Estados Unidos na tarde de terça-feira (23) e foi sentido até mesmo em Toronto, no Canadá. O tremor que teve epicentro em Virgínia, a sudoeste da capital, Washington, causou pânico e fez com que muitas pessoas evacuassem casas e prédios, aglomerando-se nas calçadas.

Em Washington, as pessoas tentavam fazer ligações para familiares e amigos, porém as linhas telefônicas ficaram congestionadas por aproximadamente 20 minutos; devido a inspeções em trilhos, houve atrasos nos trens. Por conta da superlotação nas ruas, tornava-se difícil a locomoção com carros, e táxis eram dificilmente encontrados. Foi uma tarde de caos na capital norte-americana.

De acordo com o serviço geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), o terremoto foi o mais forte a atingir a costa leste desde 1897.

 

Embora as autoridades não tenham identificado nenhuma pessoa gravemente ferida, o forte sismo causou danos em alguns prédios como a Catedral Nacional de Washington e a Embaixada do Equador. Por precaução, em decorrência do desastre ocorrido em Fukushima, no Japão, em março deste ano, dois reatores de uma usina nuclear localizada em uma região próxima ao epicentro do tremor foram desativados, o que causou certo receio entre a população.

Saiba mais sobre tremores de terra

Em entrevista concedida ao site da Revista Veja, o doutor em geofísica e professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP), Afonso Vasconcelos Lopes, lembrou que a previsão de terremotos é um item bastante complicado. Ele acredita que, no futuro, será possível prever essas ocorrências e afirmou que não existe tanta tecnologia para realizar essa prevenção, embora aparente o contrário.

Lopes também diz que não é possível prevenir que um tremor de terra aconteça e revela que o monitoramento de terremotos é feito por estações sismográficas instaladas no mundo inteiro. No Brasil está sendo montada uma rede para que os dados dos terremotos possam ser disponibilizados na internet em tempo real, como ocorre nos EUA e em outros países.

Sobre dicas de como agir diante de um terremoto, ele recomenda evitar ficar perto de objetos que possam cair. Por exemplo, se uma pessoa tem um berço em casa, que tenha uma criança, evitar prateleiras por perto. Não ir para a varanda quando houver terremoto, principalmente em prédios, e evitar o pânico. Lopes cita como exemplo o Japão, que, por ser um país que sofre muitos abalos sísmicos, as pessoas são mais precavidas e guardam recipientes com água nos quartos para, em caso de desmoronamento, ter acesso a esse mantimento.

Para o especialista, apesar da maior divulgação desses eventos no Brasil, a quantidade de terremotos não aumentou. Os sismos que ocorrem com maior frequência no país acontecem no Nordeste, descartando de forma geral a possibilidade de tsunami.

Por fim, apesar de não excluir a possibilidade de ocorrerem fortes tremores em solo brasileiro, Lopes tranquiliza a população, dizendo que não há chances de ocorrer um terremoto de magnitude extremamente alta, citando como exemplos o de janeiro de 2010, no Haiti (de 7,0 graus na escala Richter), e no Chile, em fevereiro de 2010 (8,8 graus na escala Richter).

Foto: Reprodução/Jornal da Globo

Data: 25/08/2011 / Fonte: Agência Câmara de Notícias 

ACIDENTES NA BRASKEM EM ALAGOAS PODERIAM TER SIDO EVITADOS

Brasília/DF 

O auditor fiscal do Trabalho de Alagoas Elton Costa afirmou no dia 25 de agosto que os vazamentos de gás ocorridos em maio na fábrica da petroquímica Braskem em Maceió (AL) poderiam ter sido evitados. A declaração foi feita em audiência pública da subcomissão especial criada para avaliar as condições de saúde do trabalhador, que é vinculada à Comissão de Seguridade Social e Família.
No dia 21 de maio, houve um vazamento de cloro em indústria da Braskem na capital alagoana. Um funcionário e 129 moradores de bairros vizinhos foram intoxicados pelo gás. Dois dias depois, uma nova explosão deixou cinco funcionários feridos.O diretor industrial de vinílicos da Braskem, Álvaro de Almeida, explicou que as explosões foram causadas pelo acúmulo de uma quantidade imprevisível de uma substância conhecida como clorotricloramina. "Ela é formada em uma determinada etapa do processo, a partir de uma reação de cloro com amônia. Temos o controle desse componente, mas, nesse caso específico, foi uma situação imprevisível, que nunca tinha acontecido na história da companhia ao longo dos 34 anos", disse.

Segundo Elton Costa, porém, o aumento do composto inflamável poderia ter sido antecipado. Ele ressaltou que o equipamento responsável por degradar a clorotricloramina havia sido desativado dois dias antes. "O problema que a empresa alega é que seriam feitas simulações em softwares de última geração e essa concentração não seria esperada. Os fatos desmentiram isso. Então, ou algum parâmetro equivocado foi inserido no sistema ou esse módulo relativo à simulação de teor de tricloramina precisa ser revisto. Não se pode fugir dos fatos", destacou.

Produtividade
O auditor fiscal levantou a suspeita de que a opção por desligar o equipamento tenha sido feita sob a pressão por mais produtividade, em detrimento da segurança e da saúde do trabalhador.

Álvaro de Almeida, por sua vez, sustentou que há equívocos na interpretação do Ministério Público (que solicitou o fechamento da empresa por falta de segurança no trabalho) por falta de conhecimento profundo dos métodos de produção da companhia. Ele defendeu que a Braskem não prioriza a produtividade em detrimento do bem-estar dos funcionários e do meio ambiente.

Medidas 
O dirigente da Braskem salientou que a empresa adotou medidas para evitar que os acidentes ocorram novamente. Entre elas, está a paralisação automática da fábrica caso o equipamento responsável por eliminar a tricloramina fique mais de uma hora desativado.

O deputado Dr. Aluizio (PV-RJ), que solicitou o debate, disse que a subcomissão vai continuar acompanhando o caso. Médico, o parlamentar explicou que, ao ser inalado, o cloro pode provocar intoxicações respiratórias e oculares, e os danos podem ser irreversíveis. Segundo o representante da Braskem, todas as pessoas afetadas pelo acidente receberam atendimento hospitalar e já estão bem.

Amianto
Durante a audiência, também foi levantada a preocupação com o uso de amianto nos processos produtivos da Braskem. O perito em acidentes químicos Álvaro Fernandes Sobrinho afirmou que os mecanismos de prevenção de câncer usados pela empresa não são satisfatórios. "Os funcionários usam uma máscara que não é a ideal para esse tipo de trabalho", sustentou.

De acordo com Elton Costa, a companhia respeita os limites legais para o uso da substância. "O cuidado é muito grande. Existem exames e controle médico dos trabalhadores, que precisam ser acompanhados alguns dias depois de ficarem expostos ao agente", afirmou. Para o auditor fiscal, porém, essas medidas não são suficientes para proteger os operários. Ele defendeu que há outras maneiras de se produzir cloro e soda cáustica sem o uso de amianto.

O representante da Braskem, por sua vez, garantiu que em toda a história da fábrica em Maceió nenhum funcionário desenvolveu problemas de saúde em decorrência do manuseio de amianto.

Foto: Reprodução/TV Globo

Data: 25/08/2011 / Fonte: Agência Câmara de Notícias